Indiana Lopez, A mulher dos Cabelos de Ferro
Devo partir com ela? Há um mês que penso nisso, seriamente tentada. Sim, isto está bem claro. Como não pensar nisto? Olho a minha vida, este apartamento escuro, de algumas quatro paredes, no miolo da loucura. Este centro de cidade imensa. Joana me seduziu com seu estranho mundo, seu rosto de maçãs salientes, seus olhos oblíquos, seu pescoço grosso. Baixinha, rechonchuda, mas com a cintura fortemente marcada. Uma figurinha de louça que usasse um invisível espartilho. E sua cabeleira? Piramidal, de ondas miúdas que descem armadas em lances retos para os ombros roliços. – Era assim— ela dizia— a gente enchia a boca de querosene e soprava a tocha perto do rosto, num fogarão danado. Era fácil. – Mas Joana, você não se queimava nunca? – Que nada, a gente punha marmelada na língua ... Um pedaço assim. – Ah! Bem, está explicado, a marmelada, veja só... Olhava sua pele rosada e sua boquinha minúscula. E a cabeleira, meu Deus! Não havia dúvida: ela era de circo! – O mais arriscado era quebrar ...